A flexografia é, sem dúvida, um processo de impressão muito flexível e versátil. Com ela, podemos imprimir virtualmente qualquer substrato, desde o simples papel até películas plásticas, metalizados, acoplados, alumínio, tecido, chapas de corrugado (papelão) e uma infinidade de outros materiais.

A limitação está somente na concepção de máquina (criatividade e necessidade de projeto) e nos insumos envolvidos, como tintas, sistema de secagem e acabamento. Superadas estas barreiras, a flexografia se presta para impressão de qualquer coisa.

Por que o sucesso da flexografia?

Por um motivo muito simples, independente do material que se vai imprimir teremos sempre uma concepção de grupo impressor muito parecida, sem grandes alterações ou modificações.

Para entender melhor como isso ocorre, vamos analisar abaixo o grupo impressor típico de uma flexo.

Notem que esta concepção está presente, tanto em máquinas de banda larga (para impressão de embalagens por exemplo), como a de banda estreita (para impressão de rótulos e etiquetas adesivas).

Um grupo de impressão típico é composto por:

    1. Cilindro contra pressão ou base – este cilindro é a base de apoio do substrato responsável e onde ocorre a impressão. A contra pressão em duas configurações a saber:

      1.1 – satélite ou IC (tambor central) – um único cilindro de grande diâmetro onde os grupos impressores estão dispostos ao seu redor

      1.2 – convencional – onde para cada grupo impressor teremos um contra pressão de diâmetro menor.
    1. Porta clichês – cilindro feito de aço, alumínio ou camisas de material composto onde são fixados os clichês de polímero ou borracha com auxílio de um elemento colante (normalmente usamos dupla face, mas na indústria de corrugados utiliza-se cola de contato).
    1. Anilox ou rolo dosador – cilindro especialmente fabricado com superfície tratada para manter uniforme a película e o volume de tinta. O anilox é responsável por distribuir a tinta nas áreas de grafismo dos clichês em quantidade suficiente para impressão sem excessos.

      CURIOSIDADE: Você sabia que em um conjunto flexográfico o anilox é uma das peças mais caras e que para cada trabalho, carga de tinta e cobertura há uma configuração diferente. Por este motivo ter um conjunto de anilox com lineaturas e cargas (BCM) diferenciados não é um luxo e sim uma exigência para a indústria de conversão. O anilox também possui uma vida útil e sempre que houver desgaste em sua superfície, riscos e “furos” este deverá ser substituído por um novo.
    1. Rolo Pescador ou Tomador – este rolo, revestido de borracha, faz o serviço de “pegar” a tinta do reservatório (tinteiro) e levar para sobre o anilox. Ele está unido ao anilox por baixa pressão (encosta no anilox por pressão) e esta pressão faz com que a tinta seja “espremida” entre este espaço mínimo, esta ação cria uma camada fina de tinta.
  1. Tinteiro ou banheira – um reservatório onde a tinta é colocada.

CURIOSIDADE: a tinta flexográfica é líquida de viscosidade baixa, medida em copo Zhan 2 ou Zhan 3 na sala de impressão. As tintas podem ser a base de água, solvente ou por cura UV.

Esta é a configuração mais básica de uma unidade flexo. É tão eficiente que até hoje é fabricada sem alteração alguma nesta ordem e nos componentes. Há no entanto grupos impressores mais modernos com sistemas de entintagem encapsulados ou com facas reversa, mas no fundo não alteram o conceito aqui descrito.